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Qual é o astro que melhor representa o espírito, o Sol ou a Lua?

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Qual é o astro que melhor representa o espírito, o Sol ou a Lua?

Mensagem  Merlin em Dom Ago 04, 2013 3:52 pm

Qual é o astro que melhor representa o espírito, o Sol ou a Lua?

Muito provavelmente um ocidental reponderá que o Sol é o astro que simboliza o espírito e a vida superior. É o brilho da consciência e da sabedoria, destruidor das sombras da ignorância e do mal. Uma infinidade de razões levantaria esse ocidental para sustentar sua opinião sobre a figura emblemática do espírito.
A resposta está errada, ao menos do ponto de vista da filosofia do Yoga.

O Cristianismo, bem como outros tantos cultos e filosofias centrados no mito solar, surgiram a partir da perseguição às Escolas de Mistérios, e se firmaram graças ao total desaparecimento delas para o mundo profano. Isso ocorreu principalmente durante um período de cerca de seis séculos em torno do ano zero da Era Cristã.
Antes desse fenômeno histórico, os mitos lunares acompanhavam os rituais e os princípios filosóficos da vida espiritual de várias civilizações, restando aos mitos solares apenas inspirar as ciências mundanas e o que dissesse respeito ao mundo limitado das formas.

Nossa dificuldade para perceber a sutileza dessas figuras míticas decorre do fato de nos fixarmos excessivamente na opinião de que a consciência é o destino e a razão final do espírito. Imaginamos uma transformação de estados de consciência e concebemos uma evolução para esferas cada vez mais elevadas de consciência, como se esse fosse o caminho natural em direção ao despertar espiritual. O Sol, como símbolo milenar dos fenômenos da consciên- cia, assumiria, portanto o lugar mais elevado num panteão mítico baseado na superioridade da consciência.
A consciência, porém, é um estado inferior e temporário de nossa alma. É apenas um conjunto de processos naturais que nos permitem elaborar uma representação mental do mundo e dos objetos ao nosso redor. A consciência é a condição indispensável para que possamos estabelecer alguma relação de trocas com o mundo em que vivemos, pois todo o contato que podemos estabelecer com ele só pode ser realizado através dos mesmos processos naturais que originam o fenômeno da consciência. Apesar de sua importância para o engrandecimento de nossa vida espiritual, a consciência é, normalmente, um sério obstáculo ao despertar da própria espiritualidade.

Somos guiados por forças inconscientes em todos os instantes de nossa vida. E repare como são raros os momentos em que podemos desfrutar da plenitude da consciência. E mesmo nesses curtos períodos de consciência estamos sujeitos a todo tipo de trapaças da percepção, como miragens, ruídos de comunicação e falhas de interpretação dos sinais e estímulos que nos atingem.
É claro que o astro que melhor representa a presença do espírito em nossa vida, dentro da perspectiva do Yoga, é a Lua. A mesma Lua que representa a natureza do corpo material. A filosofia do Yoga é parte de uma cultura tipicamente lunar. Em decorrência disso, o Yoga apresenta o espírito dotado de uma natureza imutável e inconsciente, condições que muito relutamos em associar ao lado mais elevado de nossa vida interior.

O patrono do Yoga é o deus Çiva, que ostenta a Lua crescente como adorno sobre a sua testa. E o abandono da consciência como referencial para nossas deliberações é uma necessidade para o despertar da verdadeira sabedoria do yoguim.
A visão que o yoguim desenvolve acerca da estrutura do ser humano é bastante diferente do que tem sido apresentado pela própria literatura recente do Yoga. A maneira confusa e obscura como enxergamos o funcionamento das práticas de Yoga deixa ampla margem para dúvidas que raramente são respondidas pelos instrutores dessa disciplina. Dúvidas tão fundamentais como as seguintes: “a prática de Yoga é espiritual, mental ou corporal?”; “Devo permanecer totalmente consciente durante uma meditação?”; “Como posso saber se estou progredindo nas minhas práticas?”; ou ainda “A prática do Yoga me colocará num estágio evolutivo superior, em relação ao resto da humanidade?”
Para que essas dúvidas não ocupem desnecessariamente a atenção do estudante, apresentamos aqui um modelo compreensivo da estrutura humana que serve para entender melhor a lógica do pensamento do sistema filosófico do Yoga. Trata-se de uma representação do funcionamento da inteligência humana.

A inteligência, desde a mais remota antigüidade é concebida de duas formas distintas: como a faculdade do entendimento das idéias (a “dianóia” dos gregos); e como destreza ou habilidade corporal ou verbal (a “sophia”). As duas funcionam de maneiras tão distintas que chegam a ser incompatíveis, pois a manifestação de uma delas depende da obliteração da outra. O intelecto e a sabedoria têm atuações mutuamente excludentes, sendo que a última é totalmente comprometida com a ação imediata, enquanto que o intelecto dis- pensa qualquer compromisso com a realidade prática.
O intelecto nos dá os instrumentos para operar sobre o modelo representativo do mundo. Constrói os passos de sua atividade com os instrumentos da razão e da lógica, e precisa de referências externas entre as quais possa es- tabelecer relacionamentos. A Ciência é um exemplo natural dessa modalidade de inteligência.

A sabedoria, por outro lado, nos dá o impulso para uma ação direta sobre o ambiente, incluindo aí a própria representação que temos desse mesmo ambiente e prescinde de quaisquer referências externas. Brota de nosso íntimo como um impulso irracional e espontâneo, uma pulsão para agir de uma determinada maneira, sem qualquer razão aparente. Causa satisfação quando se expressa, e um profundo mal-estar quando é reprimida. As artes são exemplos típicos dessa modalidade de inteligência.
Para o yoguim há dentro de nós dois eixos paralelos de atividade mental. Um eixo Lunar, de sabedoria, que une nosso corpo diretamente ao centro espiritual que nos dá sustentação como indivíduo. E um eixo Solar que une nosso centro emocional à nossa razão, e que dá sustentação à nossa consciência. Esses dois eixos sustentam as duas modalidades de inteligência que orientam a atenção de nos sa mente, ora para a busca do entendimento, ora para a busca da realização.

Utchat, o espírito, olho de Hórus, é o equivalente egípcio aproximado de citta (consciência). Na celebração dos mistérios egípcios, Osíris, o Sol, representado pelo neófito, é sacrificado simbolicamente para que possa surgir a verdadeira sabedoria pelas mãos de Ísis, sua amada. Todo o processo se faz na escuridão, para inibir a ação da consciência.
Os egípcios também colocavam o Sol em segundo plano, em suas concepções esotéricas sobre a ordem cósmica.

A sabedoria tem sido representada em muitos mitos antigos na forma de um animal de hábitos noturnos, como a tradicional coruja, o cão, o lobo ou o leão. Cabe destacar a representação da sabedoria dos mistérios pela imagem do unicórnio, que com seu chifre único e retorcido (símbolo das forças criadoras do akasham) e sua cor branca relacionada à luz da lua, faz a perfeita reprodução das características do conhecimento intuitivo. O mito do unicórnio tem sua origem na Índia, na forma de um antílope com um único chifre.

O perfeito equilíbrio entre as forças que são acionadas por esses dois eixos da atividade mental desperta aquilo que chamaríamos de inteligência corporal ou seja, a corporificação da inteligência cósmica ou divina.
O eixo solar se desenvolve intensamente durante a nossa infância e adolescência, quando adquirimos consciência e uma identidade coletiva para mostrar ao mundo. Suas lentas transformações estimuladas pelo intercâmbio que estabelecemos com outras pessoas, deveriam induzir o desenvolvimento do eixo lunar, que promove a integração de nossa vida material à nossa natureza espiritual. Isso, no entanto, não está ocorrendo a contento no estágio atual da evolução humana. Nós paramos na fase da adolescência e resistimos aos impulsos interiores para a concretização de nosso caráter espiritual. Ficamos girando em círculos intermináveis de argumentos baseados em nossa percepção consciente do mundo.

Os dois eixos que deveriam operar de maneira cooperativa, competem entre si em busca da nossa atenção, o que acaba por impedir a conclusão do processo que nos levaria àquilo que chamamos de iluminação espiritual. Um canal filamentoso (que o indiano chama de antahkarana – agente interno) deveria se consolidar entre o centro espiritual (citta) e o corpo, trazendo para nossa vida um intenso fluxo de sabedoria e santificando o nosso corpo, como um verdadeiro batismo. Dessa maneira nossa verdadeira identidade espiritual encontraria um perfeito veículo material para sua manifestação – condição que talvez possa ser recuperada pela humanidade futura.
Mas se as forças transformadoras da evolução das formas (parinama) ainda não nos colocam nessa condição iluminada, o que nos resta é tentar complementar por esforço individual o nosso próprio ciclo de amadurecimento. Através de práticas especiais, podemos alcançar estágios ideais da humanidade e nos transformar em indutores de processos semelhantes em tantos outros indivíduos que compartilham de nossas mesmas aspirações espirituais. O Yoga é uma prática que permite realizar agora os avanços que imaginamos para os homens de um futuro ainda distante.
A prática correta do Yoga produz em nossa mente o surgimento da inteligência corporal, e transforma a nossa vida material numa metáfora da própria criação e dos desígnios do universo. 

Adaptado de 
Os Yogasutras de Patañjali
Traduzidos do sânscrito e comentados por Carlos Eduardo G. Barbosa



O sol em minha concepção, mais representa a sensorialidade e a explicitude, em oposição a sutileza manifesta da lua.
Até que ponto o mito da caverna de Platão e outras influências culturais com ênfase solar, influenciaram o ocidente em seu conhecimento e método científico com seu "culto solar"?

Talvez esse seja o método mais eficiente para alguém que quisesse particionar as mentes dos indivíduos reduzindo sua percepção e comportamento a algo muito menor que sua real capacidade. Se é que isso foi feito deliberadamente, poderia ser feito facilmente, através de imposições culturais e linguísticas reforçadas através dos tempos.


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Merlin
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